domingo, 16 de agosto de 2009

Histórico de uso, desuso e outras cretinices bárbaras



A propaganda, especialmente a propaganda política, é uma arte ainda na idade da pedra. Eu, por exemplo, sou o maior trouxa que já conheci pessoalmente - eu me conheci pessoalmente, e se não me engano anotei meu telefone, errado, num maço de cigarros vazio -, e mesmo assim permanece intacta minha convicção de que votar em alguém, seja quem for, é imoral. Em épocas eleitorais sinto saudade do tempo em que "apelar para a ignorância" significava abandonar a discussão verbal e partir para as vias de fato. Hoje em dia a porrada é uma atitude muito mais inteligente do que o debate. Os ignorantes ganharam voz e cátedra, são muitos e não se cansam; "te pego na saída" é quase sempre a resposta mais sensata.



Certamente existe alguma relação entre essa imunidade e o fato de que sempre tive, desde a infância, uma destreza natural para atravessar as ruas correndo, fora da faixa, escapando por pouco de caminhões e ônibus em alta velocidade. (Carros de passeio são baixos demais, não servem.) O próprio risco em si mesmo per se - navalhadas de rua, drogas pesadas, passeios noturnos pelas partes tétricas da cidade, alpinismo recreativo ou social - nunca me atraiu, mas essa prática eu não consigo abandonar. E estou cada vez melhor, cada vez mais próximo, quase na escala dos milímetros. A pavorosa expressão "tirar uma fina", para mim, remete a algo concreto, com peso, textura, cor e cheiro. É meu único esporte; não tem um nome, mas geralmente penso nele como "driblar a inexistência".

Driblar a inexistência não com muita firula, somente com a voracidade de um centroavante trombador, tal qual o(s) melhor(es) do mundo faz(em). Na verdade não um centroavante, um centro médio, volante de várzea, carregador de piano camisa 5 clássico vindo dos cofins da defesa em direção a jugular do marcador.

Mas como dito no superior do texto, sou o maior trouxa que já conheci pessoalmente. Trouxa no sentido HarryPotteriano da coisa.
O que me confere uma certa superioridade na causa.



[a seguir, "Harry Potter vai chutar o seu traseiro"]

*com o auxílio luxuoso de Rafael "Ordinário" Sica

Um comentário:

Nathy Rocha disse...

Mas é um 'trouxa' esse bandini mesmo. haushuahush

:P