quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Há uma sutil diferença entre mortos e vivos.

Os mortos não vivem mais. Vivos não descansam em paz. Mortos não saem dali. Ninguém sai vivo daqui. Vivos não sabem viver. Mortos souberam morrer. Há vivos mortos. Há mortos vivos. Mortos não mais importam. Vivos não mais se importam. Vivos são quentes; mortos são frios. Vivos estão cheios. Mortos são vazios. Vivos vêm e vão, ouvem, sabem e vêem, ou não; pensam e fazem, com ou sem razão. Vivos erram e sentem muito. Mortos não erram, e não sentem. Vivos são, de verdade. Mortos, não mentem.


ESquiZofaZia

É uma expressão criada por Kraepelin para designar uma profunda alteração da expressão verbal, observada em alguns esquizofrênicos paranóides, em resultado da qual a linguagem se torna confusa e incoerente, sem que existam alterações graves do pensamento. Em sua forma bem acentuada, a linguagem se apresenta como uma salada de palavras, em que o enfermo emprega neologismos e palavras conhecidas com sentido desfigurado, tornando o discurso inteiramente incompreensível.


S P R A C H V E R W I R R T H E I T

La estructura de este delirio muestra una gran perturbación que puede corresponder al Lenguaje o al Pensamiento, con Agramatismo; Trastorno Paralógico; Pararrespuestas y -por momentos- Incoherencia marcada. El curso es variable, pasando del "estilo telegráfico" a la "ensalada de palabras":

"No quiere; necesito una chica; gente mala; necesito venir conmigo; es fácil; no tiene que ser pistolero. Herencia, poder, partidos políticos; conozco los colores; la gente te mira, sopla; hay otro bueno, llama sopla Mafia; telequinesia; cruz blanca; malo, bueno; ayudar; la República Argentina te defiende; no te toca nadie; en Chile son peligrosos las líneas de Ushuaia".

"Estoy por la política, el gobierno, los militares, las Malvinas, "tecosetra" (parafasia por: "te concentra"); hay que tener fuerza; tome agua de lluvia; yo dejé de trabajar porque me envidiaban. Trabajaba de albañil, carpintero; perros, víboras, me quieren eliminar; si uno no te quiere porque anda con muchas mujeres; mi hermano... no se puede hablar, es muy peligroso; quiero una chica, una enfermera, cualquiera; usted conoce la herencia, es gente que no come bien, no se sabe alimentar. En invierno hay que usar lentejas, un pan lactal y un vaso de leche".

Estos trastornos son correspondientes a los que describe la escuela alemana desde KRAEPELIN como "Sprachverwirrtheit" (confusión del lenguaje) o con BLEULER a través de un término menos alemán como "Schizophasie" (esquizofasia).

E S C R I T A . A U T O M Á T I C AO

Surrealismo pregava a revolta contra tudo aquilo que reprimia a liberdade. E nada é mais livre que os nossos sonhos, nosso subconsciente. Assim, imagens visuais do subconsciente são usadas sem qualquer intenção de realizar um trabalho artístico lógico e compreensível. O subjetivo e o ilógico acima de tudo. Imagens incongruentes deveriam aflorar da imaginação. O automatismo psíquico "ditava as regras": filtros ou qualquer outro tipo de censura ao inconsciente não eram admitidos. Valorizava-se o sonho, o devaneio, a loucura. Só com mudanças psicológicas profundas no indivíduo é que se poderia chegar a uma verdadeira transformação social e política - como transformação social e política, entenda-se acabar com o capitalismo.

Um "método" bastante empregado pelos surrealistas foi a "escrita automática". A escrita automática consistia em escrever tudo aquilo que vem à mente, sem cortes. As associações de idéias mais obscuras e ilógicas então apareceriam.

Sobre a escrita automática, há uma passagem bastante curiosa envolvendo André Breton e Otavio Paz:

No final da vida, André Breton recebeu o jovem poeta mexicano Otavio Paz, que, intrigado, perguntou:

- O que o senhor está fazendo, mestre?
- Escrita automática.
- Mas vejo o senhor usar a borracha a todo o momento.
- Ainda não está muito automática.

[Retirado do jornal O Globo, 19/ 08/ 2001]

P O R É M

Em 1955, na Universidade de Manchester, um robô escreveu uma carta de amor, facilmente aceita como exemplo de escrita automática realizada por um surrealista talentoso.

E . D A Í ?

Daí que nada mais adequado a esses tempos de internet em que um link bizarro te leva a outro site bisonho e um pensamento vai a outro de forma torta e miríades de informações flutuam frente a seus olhos como lutadores de sumô em florestas de bonsais do que a linguagem esquizofásica a escrita automática e a ironia de um robô escrevendo cartas de amor.
É isso.

Ou não.
Escrito por: Bandini
Sigam ele no Twitter: @dinhobandini

2 comentários:

Dinho F disse...

não me sigam não. também estou perdido.

Nathy Rocha disse...

as aventuras e loucuras de dilnei farias.

huahsuhaus